A BMW continua a ditar o ritmo no segmento de luxo no Brasil, mantendo uma liderança confortável frente às rivais. Segundo levantamento recente da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), a montadora alemã acumula 4.579 novos emplacamentos no ano, distanciando-se significativamente da concorrência. O carro-chefe dessa operação é o SUV X1, que registrou 1.457 unidades vendidas, seguido de perto pelo clássico sedã Série 3, com 1.288 emplacamentos.

Embora a BMW domine o topo, o ranking geral revela uma disputa acirrada pelas posições subsequentes. A Volvo aparece na vice-liderança acumulada, somando 2.045 veículos, enquanto a Audi fecha o pódio com 1.868 vendas no mesmo período. A lista dos modelos mais procurados reflete a preferência nacional por utilitários esportivos, com destaque para o Volvo XC90 (937 unidades), Audi Q3 (760) e Land Rover Discovery (560). No entanto, modelos icônicos como o Porsche 911 também mostram força, garantindo 601 emplacamentos, volume superior ao de SUVs mais acessíveis como o Audi Q5 e o Porsche Macan.

Dinâmica do mercado e ascensão da Porsche

Ao analisar o recorte específico do mês de abril, percebe-se uma movimentação interessante entre as marcas premium. Enquanto a BMW manteve a ponta com 1.383 vendas mensais, Porsche e Mercedes-Benz apresentaram um avanço notável, comercializando 538 e 530 unidades, respectivamente. Esse desempenho colocou ambas à frente da Audi e, surpreendentemente, da Volvo. A marca sueca amargou a quinta posição no mês, com 439 exemplares, um resultado impactado negativamente pelo desempenho comercial do modelo XC40.

A Porsche, por outro lado, vive um momento de euforia com o 911. O esportivo, cuja versão de entrada parte de R$ 835 mil, foi o quarto carro de luxo mais vendido em abril, com 205 unidades, provando que o ticket médio elevado não tem sido barreira para o consumidor brasileiro. A Mercedes-Benz também teve motivos para comemorar com o Classe C, que figurou em sexto lugar no ranking mensal.

O horizonte da marca: a próxima geração do Série 4

Enquanto colhe os frutos de sua estratégia comercial atual, a engenharia da BMW em Munique já traça os planos para a próxima década, com atenção especial ao Série 4. Joachim Post, chefe de Pesquisa e Desenvolvimento da marca, confirmou recentemente que o modelo continuará desempenhando um papel vital no portfólio. A atual geração, que substituiu os antigos cupês e conversíveis do Série 3 e está em produção desde 2020, deve permanecer no mercado até 2029. Isso significa que uma renovação completa, embora confirmada, não deve chegar às ruas tão cedo.

A grande incógnita que paira sobre a terceira geração do Série 4 diz respeito à motorização e à plataforma. Com a introdução da arquitetura Neue Klasse, focada em veículos elétricos, e o desenvolvimento simultâneo de uma nova geração de motores a combustão, é provável que o futuro modelo seja híbrido em sua essência estratégica. Especula-se que as versões a combustão continuem utilizando uma evolução da atual plataforma CLAR, enquanto as variantes puramente elétricas migrem para a base Neue Klasse.

Tecnologia e design da nova era

A adoção da plataforma Neue Klasse traria avanços significativos, como uma arquitetura de 800 volts e um sistema de “supercérebros” computacionais, capazes de integrar dinâmica veicular e assistência ao condutor em um único processador, similar ao que se espera para o futuro iX3. Em termos de propulsão, se a lógica atual for mantida, os modelos a combustão contarão com versões aprimoradas dos motores 2.0 turbo de quatro cilindros e do aclamado 3.0 de seis cilindros em linha. Já as versões elétricas devem espelhar o desempenho do iX3, que promete entregar mais de 460 cavalos de potência.

Visualmente, o futuro Série 4 deve alinhar-se à linguagem de design limpa e futurista dos conceitos Neue Klasse, mas mantendo sua identidade esportiva. Projeções indicam uma fusão entre superfícies lisas e elementos aerodinâmicos agressivos, especialmente nas versões M Performance. O interior também passará por uma revolução, adotando o novo sistema de infotainment da marca, que inclui uma tela panorâmica na base do para-brisas. Quanto aos custos, a tendência é de alta. Considerando que os preços atuais nos Estados Unidos variam entre 52 mil e 60 mil dólares, a próxima geração, recheada de nova tecnologia, certamente elevará esse patamar quando finalmente for revelada no final da década.